terça-feira, fevereiro 28, 2006

Versículo Ridículo


Eu me lembro, e era um tempo muito antigo.
Tão antigo que acho que nem me lembro tão bem assim!.
O povo reunido, com fome, só esperando a distribuição dos alimentos.
Eu cheguei e mandei que trouxessem toda a comida.
E tinha muito peixe e também muito pão!
Então eu rezei e abençoei todo aquele alimento.
E tudo aquilo se transformou em apenas cinco pães e cinco peixes.
E o povo viu que eu não era bom!
Então mandei que trouxessem todo o vinho e transformei todo vinho em água.
E o povo viu, mais uma vez, que eu não era nada bom!

E quando eu tocava nos sãos, eles saiam mancando.
Foi o milagre da multiplicação das muletas.
E o povo viu de novo, que eu realmente não era bom!
E quando fui andar sobre as águas, que era um dos milagres mais fáceis, quase morri afogado!

E o povo se cagou de tanto dar risada.
E, olha que nesse tempo eu ainda não tinha os pés furados!
Então olhei para os céus e reunindo todas minhas forças, gritei:
- Pai, onde estás?

E, nesse instante, trombetas soaram, ou foi um bode que berrou, ou eu é que imaginei alguma coisa assim, e uma voz ecoou vindo do alto:
-Tô de férias, Mané!
Eita, meu povo, hoje eu acordei ateu até o osso!
Em verdade, em verdade, eu vos digo:
Dá prá levar a sério quem inventou a girafa,
o elefante e o ornitorrinco?
É tudo rascunho ainda, gente!

E nunca serão passados a limpo.
Como nós!
E já que não vou pra lugar nenhum,
Que venha a nós o vosso reino!
E, falando nisso, cadê o pão nosso de cada dia,
num vai dar hoje?

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