domingo, dezembro 10, 2006

Internado


Eita, que a minha vida tá boa demais!
Desligaram os aparelhos e eu não morro mais!.
Hí! Hí! Hí!
E já tou tomando banho sózinho!
Sabonete, shampoo e talquinho!
Ficar internado é um grande barato.
Mordomia, preguiça e sopa no prato!
Eu não sabia que era tão legal
ficar dopado no hospital!
- Doutor! Dá mais um daquele prá dormir?
Hí! Hí! Hí!
E tinha uma enfermeira do turno da noite que dava banho em mim.
E acordava o “gigante adormecido”! (“- Que saúde, Seo Mané!”)
- Doutor! Tem mais daquela anestesia? Ô troço bom!
- Isso aí é só alegria! Devia vender na periferia!
Hí! Hí! Hí!
E roubei a gelatina do paciente aquí do lado.
E ele operou a garganta e tem que ficar calado!
Coitado!
- Doutor! Tem Lexotan? Me arruma um quilo disso aí!
- Posso levar um pouco prá casa?
Esse lugar é um achado!
Eu durmo doido e acordo chapado!
E o mais engraçado é que eu tava são!
Só entrei prá pedir uma informação!
Hí! Hí! Hí!

Gente Boa Demais



Fui num lugar fino!
Gente boa demais.
Uma puta me pediu:
- O senhor me paga um butijão de gás?


Tinha um traficante,
um cara muito legal.
Mas ele tava ocupado,
subornando um policial!


E estava lá um policial,
bem vestido e elegante,
cumprindo sua missão,
de extorquir um traficante!


Também tinha um bêbado
que tava muito mamado.
Pediu mais uma dizendo:
- Amanhã eu pago!


Tinha um garçon num canto
brigando com um bêbado chapado.
Ele dizia prô bebum:
- Não! Não! Aqui não tem fiado!


Fui num lugar fino!
Gente boa demais.
Tinha garçon, putas,
traficantes e policiais.


O bandido me olhou
achando que eu era policial,
e o tira me fitou
como se eu fosse marginal!


Uma puta viu o Mané,
olhando tudo lá de trás.
Chegou junto e me disse:
- O senhor me paga um butijão de gás?


Achei que o lugar era fino,
mas agora não sei mais.
Será que entro ou que saio,
ou pago o butijão de gás?